Minha
relação com as danças populares começou aos seis anos de idade. A minha paixão intensa, impregnada me faz
perceber o quão significativo é a quadrilha pra comigo, pois minha história de
vida se confunde com todas as trajetórias “quadrilhescas” que estão em mim,
perpassam por cada parte das entrelinhas do corpo. O início de tudo: 2000. Foi
ali que comecei a dimensionar os meus olhares para os lados artísticos,
históricos que permeiam este universo que é tão contemplativo, agregador e
diverso como é a Quadrilha.
Várias
monografias, dissertações retratam a transformação, o tradicional, o moderno,
as influências sociais, políticas e econômicas inseridas ao universo
“quadrilhesco”. Entretanto, sinto a necessidade de um trabalho acadêmico que
contemple as contribuições do brincante que é simultaneamente pesquisador,
costureiro, coreógrafo, estilista tendo propriedade artística ao contexto geral
da quadrilha e faz este espetáculo cênico acontecer, uma vez que o
brincante-coreógrafo perpassa por processos criativos intensivos, árduos, tendo
um produto final contemplativo, a aclamação, o aplauso.
Desta
forma, a figura do brincante-coreográfico tem a oportunidade de ser
reconhecido, contemplado e incentivado pelas esferas artística-sociais e
populares, uma vez que se conhece o “nome” de quem faz o delírio, a nuance
acontecer, porém não se conhece a fundo seus processos de criação que são
distintos e ao mesmo tempo peculiares, ou seja, o pensar/agir/acontecer é de
suma importância no sentido de incluir brincantes para fins de despertar as
vivências empíricas na criação coreográfica, no corte e costura, na pesquisa
histórica, na confecção de adereços cênicos com caráter profissional popular.
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