quinta-feira, 4 de abril de 2013

Delimitar-se... Um novo fatiamento!

Na Delimitação foi um pouco mais difícl, pelo fato de eu ter mais de quatro tópicos a serem descritos. No entanto, com as orientções da Professora Luíza Monteiro, Mayrla Andrade e Wlad Lima, tive de treinar o meu poder de síntese - outro impasse a ser superado!


Histórico da Quadrilha Mirim Encanto Junino – Matuto-protagonistas dos Festejos Juninos!

A Quadrilha Mirim Encanto Junino nasceu da ideia e nuance das Professoras Núbia Oliveira (Coreógrafa e Estilista) e Auciléia Santos (Coreógrafa, Brincante e Estilista) no ano de 2006. Com o apoio total da Diretora da Escola Faustino de Brito – localizada, na época, no Bairro São José, ao lado da Câmara Municipal cachoeirense – Maria Iracema Vieira Barbosa, também apreciadora dos festejos juninos e as manifestações culturais, fizeram com que a rotina das crianças do estabelecimento de ensino fosse alterada: a cultura popular plantava seus primeiros grãos.

Com a grande quantidade de discentes que estavam dispostos a participarem, isto ocasionou na criação de um Grupo Folclórico – “Nova Geração” – e a Quadrilha Mirim Encanto Junino com intuito de engradecer a cultura cachoeirense. O primeiro tema da quadrilha foi “Resgatando as Quadrilhas Roceiras Tradicionais”, repercutiu muito bem plasticamente e da maneira lúdica que o enredo foi desenvolvido, não deixando de lado o tão famoso casamento na roça. Assim, a Quadrilha – mesmo sendo mirim – tem uma qualidade técnica que impressionou a comunidade escolar e a população do município.

“Fábrica dos Sonhos” – A Criação do Tema da Quadrilha Encanto Junino no ano de 2009

As influências carnavalescas impregnadas desde 2002 me instigaram a criar um tema baseado no enredo da Agremiação Paulista Sociedade Rosas de Ouro de 2009 intitulado “Bem-Vindos a Fábrica de Sonhos” que retratava o processo de criação desde a imaginação do carnavalesco até a contemplação: o desfile-espetáculo da escola de samba. No entanto, o meu delírio maior foi transformar e dar uma personalidade “quadrilhesca”. Então, criei o tema “Fábrica dos Sonhos”, no qual a criança é fio condutor do despertar o imaginário, a fantasia e o faz-de-conta agregado aos aspectos da quadrilha – que também não passam de um delírio, do sonho e criação da concepção lógica do tema transfigurado em figurinos, misses e de coreografias adequadas e fácil entendimento ao espectador.

Depois de uma pesquisa assídua de vídeos, filmes e livros infantis, sistematizei o tema através de destaques que a Quadrilha - foi uma mistura de quadrilha roceira e quadrilha moderna - exibe na quadra junina, que serão descritos a seguir:

Brincantes – é o corpo geral da quadrilha, no qual há uma uniformidade tanto das cores dos figurinos quanto na confecção dos materiais utilizados. Os meninos representavam o soldadinho de chumbo – da história infantil “O Quebra Nozes” –, e as meninas a bailarina, sendo fiel a história.

Miss Simpatia – é um dos destaques da quadrilha, sua predominância deste destaque é o carisma e a leveza em sua coreografia. No contexto do tema, a mesma representa “O Fantástico Mundo das Fadas”.

Miss Mulata – é um dos destaques da quadrilha; sua predominância é toda a malemolência que impregnada a cor e sua raiz negra. Porém, para adequar ao contexto do enredo, a mesma representa Dorothy de “O Mágico de Oz”.

Miss Caipira – é um dos destaques da quadrilha; sua predominância é o gingado e características caipiras mais dançados. Entretanto, também para a adequação do tema, a mesma representa “Alice no País das Maravilhas”.

Marcador – é o personagem que comanda a quadrilha; seu papel é de suma importância para o andamento da quadrilha. Representava – no caso, eu fui pela primeira vez marcador – “O Bobo da Corte da Fábrica dos Sonhos”.

Processo de Criação coreográfica da “Fábrica dos Sonhos”

Com a “Fábrica de Sonhos” em mãos, a priori a Professora Simone Gonçalves ressignificou os movimentos de marcação das meninas – que comumente é agarrar e balançar a saia no ritmo da música –, no qual estas dançavam com as mãos na cintura, para representar melhor a figura da bailarina. No caso dos meninos, a marcação era mais mecanizada, para remeter o “marchar” e o andar imponente do soldadinho de chumbo. A partir daí, houve uma mesclagem de figuras coreográficas da quadrilha tradicional – como a grande roda, o túnel, o caracol, a maresia, o pau-de-fita, etc. – aliados a movimentos da quadrilha moderna – como, por exemplo, a leveza das bailarinas e o marchar dos meninos ao cumprimentar. No entanto, a Professora Simone deixou o cargo; os passos da quadrilha estavam incompletos e alguém tinha de terminar. Então, resolvi terminar o processo coreográfico rememorando os anos anteriores que já havia dançado, como forma de fomento para criação. Para Ostrower (1977), “as intenções se estruturam junto com a memória” (pg.18), uma vez que este fator criativo estaria parcialmente impregnado ao corpo e a mente, ou seja, o “processo lida, portanto, com registros de percepções, sob a forma de lembranças” (SILVA, 2007, p.2).

Assim, com a ajuda oportuna de Liduina Aviz – brincante-coreógrafa da quadrilha Sedução Junina – conseguimos perpassar por diversas dificuldades que nos oportunizaram a novas maneiras de lidar com as situações das mais engraçadas a mais séria. Desta forma, apresentamos na quadra junina um trabalho qualitativo que foi de fato apreciado e aplaudido pelo público, afinal, o aplauso é a recompensa de meses de estudos, ensaios e trabalhos intensos.

 

Fernando Nunes: Contribuições do brincante-coreógrafo de Cachoeira do Piriá

Meu objeto de pesquisa não poderia ser outro senão a quadrilha, pois minha história de vida se confunde com vários fatos que ocorreram durante treze anos como brincante, três anos como marcador e oito como coreógrafo.  Conheci o universo da dança através de um convite que a coreógrafa da quadrilha Sedução Junina Simone Gonçalves me contemplou: fazer parte dos casais mirins da Sedução – do Bairro Cachoeira Velha, no qual resido até hoje. O ano 2000 foi marcante, o início de tudo. No entanto, só voltei a ser brincante da quadrilha em 2007, porém dois anos antes, fiz minha primeira participação como coreógrafo. O resultado desta experiência veio no ano seguinte, quando a Diretora da Escola Municipal Faustino de Brito Maria Iracema me fez um convite para ser coreógrafo das misses da Quadrilha Encanto Junino e fazer a parceira – na qual eu tive bastante aprendizado – com as Professoras Auciléia Santos e Núbia Oliveira, que por sinal tinham bastante experiência no ramo das quadrilhas roceiras tradicionais e modernas – ambas tiveram um contato direto com a Professora Simone Gonçalves.

Autodidata na dança, senti a necessidade de desenhar e confeccionar os figurinos, desenvolver temas de quadrilha – uma vez que nessas áreas não tinha experiência alguma. Com o tempo, a minha vontade de aprender fez com que o meu trabalho se tornasse correto, detalhista, luxuoso e com pesquisas assíduas para desenvolver temas de quadrilhas. Enfim, todos os conhecimentos a respeito da quadrilha que obtive são de caráter empírico e autodidata.

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