Histórico
da Quadrilha Mirim Encanto Junino – Matuto-protagonistas dos Festejos Juninos!
A
Quadrilha Mirim Encanto Junino nasceu da ideia e nuance das Professoras Núbia
Oliveira (Coreógrafa e Estilista) e Auciléia Santos (Coreógrafa, Brincante e
Estilista) no ano de 2006. Com o apoio total da Diretora da Escola Faustino de
Brito – localizada, na época, no Bairro São José, ao lado da Câmara Municipal
cachoeirense – Maria Iracema Vieira Barbosa, também apreciadora dos festejos
juninos e as manifestações culturais, fizeram com que a rotina das crianças do
estabelecimento de ensino fosse alterada: a cultura popular plantava seus
primeiros grãos.
Com
a grande quantidade de discentes que estavam dispostos a participarem, isto ocasionou
na criação de um Grupo Folclórico – “Nova Geração” – e a Quadrilha Mirim
Encanto Junino com intuito de engradecer a cultura cachoeirense. O primeiro
tema da quadrilha foi “Resgatando as Quadrilhas Roceiras Tradicionais”,
repercutiu muito bem plasticamente e da maneira lúdica que o enredo foi
desenvolvido, não deixando de lado o tão famoso casamento na roça. Assim, a
Quadrilha – mesmo sendo mirim – tem uma qualidade técnica que impressionou a
comunidade escolar e a população do município.
“Fábrica
dos Sonhos” – A Criação do Tema da Quadrilha Encanto Junino no ano de 2009
As
influências carnavalescas impregnadas desde 2002 me instigaram a criar um tema
baseado no enredo da Agremiação Paulista Sociedade Rosas de Ouro de 2009
intitulado “Bem-Vindos a Fábrica de Sonhos” que retratava o processo de criação
desde a imaginação do carnavalesco até a contemplação: o desfile-espetáculo da
escola de samba. No entanto, o meu delírio maior foi transformar e dar uma
personalidade “quadrilhesca”. Então, criei o tema “Fábrica dos Sonhos”, no qual
a criança é fio condutor do despertar o imaginário, a fantasia e o faz-de-conta
agregado aos aspectos da quadrilha – que também não passam de um delírio, do
sonho e criação da concepção lógica do tema transfigurado em figurinos, misses
e de coreografias adequadas e fácil entendimento ao espectador.
Depois
de uma pesquisa assídua de vídeos, filmes e livros infantis, sistematizei o tema
através de destaques que a Quadrilha - foi uma mistura de quadrilha roceira e
quadrilha moderna - exibe na quadra junina, que serão descritos a seguir:
Brincantes
– é o corpo geral da quadrilha, no qual há uma uniformidade tanto das cores dos
figurinos quanto na confecção dos materiais utilizados. Os meninos
representavam o soldadinho de chumbo – da história infantil “O Quebra Nozes” –,
e as meninas a bailarina, sendo fiel a história.
Miss Simpatia
– é um dos destaques da quadrilha, sua predominância deste destaque é o carisma
e a leveza em sua coreografia. No contexto do tema, a mesma representa “O
Fantástico Mundo das Fadas”.
Miss Mulata
– é um dos destaques da quadrilha; sua predominância é toda a malemolência que
impregnada a cor e sua raiz negra. Porém, para adequar ao contexto do enredo, a
mesma representa Dorothy de “O Mágico de Oz”.
Miss Caipira –
é um dos destaques da quadrilha; sua predominância é o gingado e
características caipiras mais dançados. Entretanto, também para a adequação do
tema, a mesma representa “Alice no País das Maravilhas”.
Marcador
– é o personagem que comanda a quadrilha; seu papel é de suma importância para
o andamento da quadrilha. Representava – no caso, eu fui pela primeira vez
marcador – “O Bobo da Corte da Fábrica dos Sonhos”.
Processo
de Criação coreográfica da “Fábrica dos Sonhos”
Com a “Fábrica de Sonhos” em mãos, a priori a
Professora Simone Gonçalves ressignificou os movimentos de marcação das meninas
– que comumente é agarrar e balançar a saia no ritmo da música –, no qual estas
dançavam com as mãos na cintura, para representar melhor a figura da bailarina.
No caso dos meninos, a marcação era mais mecanizada, para remeter o “marchar” e
o andar imponente do soldadinho de chumbo. A partir daí, houve uma mesclagem de
figuras coreográficas da quadrilha tradicional – como a grande roda, o túnel, o
caracol, a maresia, o pau-de-fita, etc. – aliados a movimentos da quadrilha
moderna – como, por exemplo, a leveza das bailarinas e o marchar dos meninos ao
cumprimentar. No entanto, a Professora Simone deixou o cargo; os passos da
quadrilha estavam incompletos e alguém tinha de terminar. Então, resolvi
terminar o processo coreográfico rememorando os anos anteriores que já havia
dançado, como forma de fomento para criação. Para Ostrower (1977), “as
intenções se estruturam junto com a memória” (pg.18), uma vez que este fator
criativo estaria parcialmente impregnado ao corpo e a mente, ou seja, o “processo
lida, portanto, com registros de percepções, sob a forma de lembranças” (SILVA,
2007, p.2).
Assim, com a ajuda oportuna de Liduina Aviz –
brincante-coreógrafa da quadrilha Sedução Junina – conseguimos perpassar por
diversas dificuldades que nos oportunizaram a novas maneiras de lidar com as
situações das mais engraçadas a mais séria. Desta forma, apresentamos na quadra
junina um trabalho qualitativo que foi de fato apreciado e aplaudido pelo
público, afinal, o aplauso é a recompensa de meses de estudos, ensaios e
trabalhos intensos.
Fernando
Nunes: Contribuições do brincante-coreógrafo de Cachoeira do Piriá
Meu
objeto de pesquisa não poderia ser outro senão a quadrilha, pois minha história
de vida se confunde com vários fatos que ocorreram durante treze anos como
brincante, três anos como marcador e oito como coreógrafo. Conheci o universo da dança através de um
convite que a coreógrafa da quadrilha Sedução Junina Simone Gonçalves me
contemplou: fazer parte dos casais mirins da Sedução – do Bairro Cachoeira
Velha, no qual resido até hoje. O ano 2000 foi marcante, o início de tudo. No
entanto, só voltei a ser brincante da quadrilha em 2007, porém dois anos antes,
fiz minha primeira participação como coreógrafo. O resultado desta experiência
veio no ano seguinte, quando a Diretora da Escola Municipal Faustino de Brito
Maria Iracema me fez um convite para ser coreógrafo das misses da Quadrilha
Encanto Junino e fazer a parceira – na qual eu tive bastante aprendizado – com
as Professoras Auciléia Santos e Núbia Oliveira, que por sinal tinham bastante
experiência no ramo das quadrilhas roceiras tradicionais e modernas – ambas
tiveram um contato direto com a Professora Simone Gonçalves.
Autodidata
na dança, senti a necessidade de desenhar e confeccionar os figurinos,
desenvolver temas de quadrilha – uma vez que nessas áreas não tinha experiência
alguma. Com o tempo, a minha vontade de aprender fez com que o meu trabalho se
tornasse correto, detalhista, luxuoso e com pesquisas assíduas para desenvolver
temas de quadrilhas. Enfim, todos os conhecimentos a respeito da quadrilha que
obtive são de caráter empírico e autodidata.
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