quinta-feira, 4 de abril de 2013

Não tem paixão maior, nuance mais linda.... A vida de um quadrilheiroo! Amo-te :)



Referências... Autores que contribuirão para o meu Objeto de pesquisa!

Aqui estão as referências bibliográficas. Mestres da Cultura Popular, do que é Rizoma, Método Cartográfico, Festejos Juninos, Processo de Transformação da Quadrilha, O Tradicional e o novo.... Enfim, eles são as minha joias!


· LEAL, Eleonora F. Contando o Tempo: transformação, coreografia e modernidade no espetáculo da Quadrilha junina em Belém do Pará. 165fl. Dissertação (Mestrado em Artes Cênicas) – Programa de Pós- Graduação em Artes Cênicas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2004. Orientadora Profª Drª Eliana Silva.

· LEAL, Eleonora. Contando o Tempo: A Quadrilha moderna nos anos 80. Revista Ensaio Geral, p. 51-64. Belém, v3, n. 5, Jan-Jul 2011.

· CHIANCA, Luciana. Devoção e Diversão: Expressões Contemporâneas de Festas e Santos Católicos. Revista ANTHROPOLÓGICAS, ano 11, volume 18: 2ª Edição: 49-74; 2007.

· SILVA, Marcos. Inventando o Povo que se inventa. Câmara Cascudo, a Cultura Popular e a Modernidade Brasileira. Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses; 1-13; Natal, 2004.

· COSTA, Antônio Maurício Dias da. Espacialização Festiva em Disputa: estado, imprensa e festeiros em torno dos terreiros juninos de Belém nos anos 1970. Interseções [Rio de Janeiro] v. 13 n. 2, p. 304-333, dez. 2011.

· SILVA, Alana morais Abreu e. Redes de Criação – Construção da Obra de Arte, de Cecília Almeida Salles: Caminhos, escolhas e encontros no universo da Obra em processo. Revista Travessias n. 1; Pesquisas em educação, cultura, linguagem e arte; 1-7. Cascavel, 2007.

· MORIGI, Valdir. Festa Junina: Hibridismo Cultural. CADERNO DE ESTUDOS SOCIAIS, Recife, vol. 18, n.2, p.251-266, Jul/Dez 2002.

· NÓBREGA, Zulmira. Apontamentos sobre o Lúdico em o Maior São João do Mundo. Trabalho apresentado no III ENECULT – Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, realizado entre os dias 23 a 25 de maio de 2007, na Faculdade de Comunicação/UFBa, Salvador - Bahia - Brasil.

· DELEUZE, Gilles e GUATARRI, Félix. Introdução: Rizoma. Texto extraído de Mil Platôs (Capitalismo e Esquizofrenia) Vol. 1, Editora 34, 1ª Ed. (1995) (Esgotado), Tradução de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa.

· TRIGUEIRO, Osvaldo Meira. O Espetáculo das Quadrilhas Estilizadas no Parque do Povo. Fonte: Jornal Correio da Paraíba, Caderno de Cultura. 27/06/07.

Meu Cronograma Parcial...

Aqui coloco os meus parciais caminhos que perpassarei nesta trajetória tão linda que é o TCC - ironia! rsrsrs
 
 
Apresentação do TCC
Junho de 2015
Processo de leituras, estudos, escrita e Revisão Ortográfica-Organizacional do TCC
Julho de 2014 à Maio de 2015
Apresentação e Revisão escrita desta Pesquisa ao (a) Orientador (a)
Março/ Junho de 2014
Início da Pesquisa de Campo
Novembro de 2013 à Março de 2014
Esboço e Entrega destas ideias, reflexões escritas para o (a) Orientador (a)
Julho/ Novembro de 2013
Reflexões, organização de ideias a respeito do TCC
Maio/Julho de 2013
 
 

Meu Sumário Provisório...

Pessoas, este é o meu Sumário Provisório do TCC, espero que gostem! :)


Sumário Preliminar ou Provisório

Introdução...........................................................................................................................

SEÇÃO I: QUADRILLES IN SCÈNE – INFLUÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO.........1

1.1 Influências Holandesa, Portuguesa e Francesa – Do Country Dance à Quadrilha de Corte..................................................................................................................................1

1.2 A Quadrilha chega ao Brasil: Dos Salões Aristocráticos ao Caminho da Roça.........2

1.3 Bélle Époque in Pará: Histórico da Quadrilha em Belém do Pará..............................3

1.4 Modernité e Quadrille: influência e globalização.......................................................4

SEÇÃO II: ANAVAN TUR, ANARRIÉ! A EXPLOSÃO DA CULTURA POPULAR EM CACHOEIRA DO PIRIÁ................................................................................................5

2.1 Cachoeira do Piriá: História, Cultura e Dança............................................................5

2.2 As Danças Populares na Escola Municipal Faustino de Brito....................................6

2.3 A criação da Quadrilha Mirim Encanto Junino da Escola Municipal Faustino de Brito...................................................................................................................................7

SEÇÃO III: FERNANDO NUNES IN SCÈNE – BRINCANTE-COREÓGRAFO E PESQUISADOR QUADRILHESCO.............................................................................8

3.1 Quando a Dança Popular entra em minha vida...........................................................8

3.2 Simone Gonçalves: “Coreógrafa-Espelho” da Quadrilha Junina................................9

3.3 Eu e a Quadrilha Encanto Junino – Duas Paixões na Quadra Junina........................10

3.4 O Delírio da Criação: A “Fábrica dos Sonhos” e os primeiros rabiscos...................11

SEÇÃO IV: FÁBRICA DOS SONHOS IN SCÈNE – A CRIAÇÃO COREÓGRAFICA, O ENSAIO E A APRESENTAÇÃO NA QUADRA JUNINA...................................12

4.1 Recordar é preciso: A criação coreográfica da “Fábrica dos Sonhos” no ano de 2009.................................................................................................................................12

4.2 “PAU-DE-FITA”: Os entrelaços da criação e o Sentimento da Criança..................13

4.3 Fernando Nunes Marcador? A Grande Novidade em 2009......................................14

4.4 Enfim, chega o dia! A transfiguração do sonho na Quadra Junina...........................15

5. Referências..................................................................................................................16

6. Anexos.........................................................................................................................17

 

Metodologia... Os tópicos relevantes!

Minha metodologia foi "fácil" da fazer a partir do momento em que há vtrês explicações diferentes das professoras Wlad Lima, Mayrla Andrade e Luíza Monteiro:
 
Meu objeto de pesquisa retratará minhas contribuições enquanto brincante, coreógrafo e pesquisador para com a Quadrilha Mirim Encanto Junino de Cachoeira do Piriá no ano de 2009.

A respeito do método de pesquisa, usarei o cartográfico de Passos, Kastrup e Escóssia (2009), pois

[...] São múltiplas as entradas em uma cartografia. A realidade cartografada se apresenta como mapa móvel, de tal maneira que tudo aquilo que tem aparência de “o mesmo” não passa de um concentrado de significação, de saber e de poder [...] (p. 10).

Assim, irei perpassar através da cartografia pelo processo criativo, produto final e nas entrelinhas de significações, uma vez que “o artista tem um modo individual de realizar uma coleta, uma busca de diferentes signos e objetos e reuni-los como fonte na criação” (SILVA, 2007, p.3).

A pesquisa tem como finalidade básica, uma vez que não serão necessárias experimentações práticas por se tratar de um processo de rememoração analítico-descritiva, no qual identificarei e explicarei acontecimentos que direta ou indiretamente levaram à criação da Quadrilha Mirim Encanto Junino agregada a Escola Municipal Faustino de Brito inter-relacionando com minha história na dança, onde iniciei como coreógrafo da quadrilha aos onze anos de idade.

Tendo como natureza qualitativa, minha pesquisa será realizada no campo a fim de recordar alguns acontecimentos importantes no processo de criação do tema “Fábrica dos Sonhos” da Quadrilha Mirim Encanto Junino que serão relevantes a meu objeto de pesquisa.

Terei como fontes de pesquisa coreógrafos (no qual eu também estou inserido) da Escola Faustino de Brito, ex-brincantes da Quadrilha, funcionários e a Diretora do Estabelecimento de ensino.

Quanto aos procedimentos da pesquisa, utilizarei os aspectos documental e bibliográfico, pois este será contemplado por meio de entrevistas, roda de conversas (socialização de pais, coreógrafos, funcionários da Escola Faustino de Brito), gravações de vídeos e fotos, assim como referenciais teóricos que venham agregar junto às informações relevantes referentes ao contexto histórico, social e cultural da Quadrilha Mirim Encanto Junino de Cachoeira do Piriá no ano de 2009.

Como toda pesquisa, se deve pensar nas limitações que venham comprometer o objeto. A disponibilidade de tempo – por ser uma pesquisa a ser realizada no município de Cachoeira do Piriá, uma vez que faço Graduação em Dança na capital paraense -, arquivos (fotos, vídeos) que venham a ser perdidos, pois a “Fábrica de Sonhos” fora realizada no ano de 2009.

O estado do "Estado da Arte"

Com a viagem da  Professora Wlad Lima, as Professoras Luíza Monteiro e Mayrla Andrade ficaram no comando das orientações do Pré-Projeto. Todavia, a dificuçldade foi imensa em compreender o que é de fato Estado da Arte, pois havia uma confusão com referencial teórico. As aspas disso tudo é que só consegui entender de fato o que se trata o Estado da Arte quando a Professora Wlad Lima falou uma semana antes da apresentação do meu pré-projeto: "É um texto corrido!" A partir coloquei em prática os meus "devaneios" no processo rizomático e/ou cartográfico do meu objeto:
 
A princípio, meu objeto de pesquisa é contemplado com as indagações de Chianca (2007) que descreve a origem da Quadrilha e as influências que esta sofreu pela Europa e também pelo qual esta dança popular “[...]. Nobre e cortês na origem, [...] tornou-se uma dança e um espetáculo popularizado e reinventado [...]” (p.50) com a sua chegada ao Brasil. Se tratando da modernidade da Quadrilha, tenho como referência Leal (2011), retrata a busca pelo novo e o moderno no contexto coreográfico, do traje e as influências na globalização que ocasionam essa mudança.
A partir daí, mantenho uma lógica condizente a estrutura do meu objeto de pesquisa. Busco nos conceitos de Cultura Popular de Cascudo (1998) que ressalta a identidade de um povo baseada nas raízes permanentes da sociedade no qual a cultura está inserida. Ainda no contexto geral, dimensiono o conceito de Dança de Kaeppler (1998) para com meu objeto de pesquisa, pois a dança é uma “manifestação visual das relações sociais, ela poderia ser o objeto de estudo de um sistema estético elaborado [...]” (p.1).
Para um enriquecimento de contextos, conceitos, visões e reflexões apontei meus globos oculares de leitura para com os textos de Leal (2004), Nóbrega (2007), Silva (2004), Morigi (2002), Costa (2011), Castro (2009) e Trigueiro (2007) a fim de ter mais propriedade teórica no âmbito da cultura, dos festejos e das danças populares, uma vez que este direta ou indiretamente estão inter-relacionados com meu objeto, uma espécie de Rizoma, no qual Deleuze e Guatarri (1995) afirmam que:
[...]. Num rizoma [...], cada traço não remete necessariamente a um traço linguístico: cadeias semióticas de toda natureza são aí conectadas a modos de codificação muito diversos, cadeias biológicas, políticas, econômicas, etc., colocando em jogo não somente regimes de signos diferentes, mas também estatutos de estados de coisas (p.4).
Por fim, através da memória, busquei acontecimentos que foram relevantes no que diz respeito ao processo de criação, ou seja, as minhas contribuições enquanto brincante-coreógrafo e pesquisador para com a Quadrilha Mirim Encanto Junino de Cachoeira do Piriá, uma vez que a criação, os ensaios e produto final foram realizados no ano de 2009, tendo então, a memória, fotos e vídeos como meios de descrição do fenômeno. Neste contexto, inclui reflexões de Silva (2007) a respeito do processo de criação, no qual a mesma tem como referencial Cecília Salles e Fayga Ostrower, que tratam exatamente do processo de criação – de suas maneiras, evidentemente – de uma performance, por exemplo. Assim, faço dessa teia semiótica, a imagética principal que é o meu objeto de pesquisa, no qual o “eu” se insere ao “nós” para fins de um conjunto importante e prazeroso: a apresentação da Quadrilha na quadra junina.

Na Problematização e Hipótese veio o problema...

Minha maior dificuldade foi em desenvolver minha hipótese. As orientações da Professora Luíza Monteiro foram de suma importância, mas mesmo assim no dia 19 de março - defesa do meu pré-projeto - não consegui "respondê-la". Enfim, ela teria de sair, de qualquer forma:


De que forma são feitas as contribuições do brincante-coreógrafo Fernando Nunes no Processo de Criação da Quadrilha Encanto Junino no ano de 2009?
As contribuições artísticas, históricas e empíricas ao universo “quadrilhesco” proporciona ao brincante-coreógrafo processos criativos intensivos, árduos e ao mesmo tempo contemplativos para com o profissionalismo existente neste ramo. No caso da Quadrilha Mirim Encanto Junino, o processo de rememoração através de depoimentos, entrevista, arquivos (fotos e vídeos) será de suma importância para a concretização do meu objeto de pesquisa. Dimensiono a importância no ano de 2009, pois este foi além do intenso, árduo e contemplativo; este processo foi motivador, amplificador de ideias, conceitos e pré-conceitos em relação ao universo infantil assim como a liberdade de sonhar da criança, de inventar histórias, de viver essas histórias.
Assim, vejo na quadrilha um dos meios lúdicos de aprender, de criar e despertar o imaginário da criança assim como o divertimento e o prazer que são contemplados na quadra junina.
E pra vocês de que forma são feitas estas contribuiuções? Por favor comentem! :)

Momento da Justificativa.... O Pessoal, Acadêmico e Social

A minha Justificativa é bem direta com alguns toques poéticos e filosóficos - que para mim foi uma honrar ouvir isto da Professora Luíza Monteiro!

Minha relação com as danças populares começou aos seis anos de idade.  A minha paixão intensa, impregnada me faz perceber o quão significativo é a quadrilha pra comigo, pois minha história de vida se confunde com todas as trajetórias “quadrilhescas” que estão em mim, perpassam por cada parte das entrelinhas do corpo. O início de tudo: 2000. Foi ali que comecei a dimensionar os meus olhares para os lados artísticos, históricos que permeiam este universo que é tão contemplativo, agregador e diverso como é a Quadrilha.

Várias monografias, dissertações retratam a transformação, o tradicional, o moderno, as influências sociais, políticas e econômicas inseridas ao universo “quadrilhesco”. Entretanto, sinto a necessidade de um trabalho acadêmico que contemple as contribuições do brincante que é simultaneamente pesquisador, costureiro, coreógrafo, estilista tendo propriedade artística ao contexto geral da quadrilha e faz este espetáculo cênico acontecer, uma vez que o brincante-coreógrafo perpassa por processos criativos intensivos, árduos, tendo um produto final contemplativo, a aclamação, o aplauso.

Desta forma, a figura do brincante-coreográfico tem a oportunidade de ser reconhecido, contemplado e incentivado pelas esferas artística-sociais e populares, uma vez que se conhece o “nome” de quem faz o delírio, a nuance acontecer, porém não se conhece a fundo seus processos de criação que são distintos e ao mesmo tempo peculiares, ou seja, o pensar/agir/acontecer é de suma importância no sentido de incluir brincantes para fins de despertar as vivências empíricas na criação coreográfica, no corte e costura, na pesquisa histórica, na confecção de adereços cênicos com caráter profissional popular.

 

Momento "Recordar é Preciso" Esta foi a primeira música da Quadrilha Mirim Encanto Junino no ano de 2006, no qual fiz minha primeira participação como coreógrafo de misses:

Simpatia de São João - Mastruz com Leite
Foi você que eu vi na simpatia de São João
Só aparecia você em todas que eu fazia
Pra ser o dono do meu coração

Fiz a simpatia, pedi a São João
Pra ser o meu guia, mostrar meu amor
Na água da bacia e o seu rosto apareceu
Pulei a fogueira, brinquei de aliança
E também de espelho
Botei a faca no tronco da babaneira
E estava o seu nome junto ao meu

Eô, eô, São João me falou
Que é você, você, você o meu amor
Fonte: site http://www.vagalume.com.br/mastruz-com-leite/simpatia-de-sao-joao.html visualizado no dia 20/02/2013


Já no ano de 2009 a música foi maravilhosa, as crianças se identificaram bastante por ser muito conhecida nos festejos juninos:
Fogueirinha - Assissão
Eu fiz uma fogueirinha
Esperando meu amor
Tomou conta do terreiro
O forró se esquentou

É madrugada
Já chegou quem eu queria
Foi a dádiva da sorte
Da beleza que existia

Trá, lá, lá, ô
Vou cantar de alegria
Quem espera sempre alcança
Meu amor já me dizia

Dia raiou
Rastro na areia
Minha sereia
São João é o amor
Fonte: site http://www.vagalume.com.br/assisao/fogueirinha.html visualizado no dia 20/02/2013
Misses da Quadrilha Encanto Junino no ano de 2011 com a Diretora Maria Iracema Vieira Barbosa

São João é um amor 

Delimitar-se... Um novo fatiamento!

Na Delimitação foi um pouco mais difícl, pelo fato de eu ter mais de quatro tópicos a serem descritos. No entanto, com as orientções da Professora Luíza Monteiro, Mayrla Andrade e Wlad Lima, tive de treinar o meu poder de síntese - outro impasse a ser superado!


Histórico da Quadrilha Mirim Encanto Junino – Matuto-protagonistas dos Festejos Juninos!

A Quadrilha Mirim Encanto Junino nasceu da ideia e nuance das Professoras Núbia Oliveira (Coreógrafa e Estilista) e Auciléia Santos (Coreógrafa, Brincante e Estilista) no ano de 2006. Com o apoio total da Diretora da Escola Faustino de Brito – localizada, na época, no Bairro São José, ao lado da Câmara Municipal cachoeirense – Maria Iracema Vieira Barbosa, também apreciadora dos festejos juninos e as manifestações culturais, fizeram com que a rotina das crianças do estabelecimento de ensino fosse alterada: a cultura popular plantava seus primeiros grãos.

Com a grande quantidade de discentes que estavam dispostos a participarem, isto ocasionou na criação de um Grupo Folclórico – “Nova Geração” – e a Quadrilha Mirim Encanto Junino com intuito de engradecer a cultura cachoeirense. O primeiro tema da quadrilha foi “Resgatando as Quadrilhas Roceiras Tradicionais”, repercutiu muito bem plasticamente e da maneira lúdica que o enredo foi desenvolvido, não deixando de lado o tão famoso casamento na roça. Assim, a Quadrilha – mesmo sendo mirim – tem uma qualidade técnica que impressionou a comunidade escolar e a população do município.

“Fábrica dos Sonhos” – A Criação do Tema da Quadrilha Encanto Junino no ano de 2009

As influências carnavalescas impregnadas desde 2002 me instigaram a criar um tema baseado no enredo da Agremiação Paulista Sociedade Rosas de Ouro de 2009 intitulado “Bem-Vindos a Fábrica de Sonhos” que retratava o processo de criação desde a imaginação do carnavalesco até a contemplação: o desfile-espetáculo da escola de samba. No entanto, o meu delírio maior foi transformar e dar uma personalidade “quadrilhesca”. Então, criei o tema “Fábrica dos Sonhos”, no qual a criança é fio condutor do despertar o imaginário, a fantasia e o faz-de-conta agregado aos aspectos da quadrilha – que também não passam de um delírio, do sonho e criação da concepção lógica do tema transfigurado em figurinos, misses e de coreografias adequadas e fácil entendimento ao espectador.

Depois de uma pesquisa assídua de vídeos, filmes e livros infantis, sistematizei o tema através de destaques que a Quadrilha - foi uma mistura de quadrilha roceira e quadrilha moderna - exibe na quadra junina, que serão descritos a seguir:

Brincantes – é o corpo geral da quadrilha, no qual há uma uniformidade tanto das cores dos figurinos quanto na confecção dos materiais utilizados. Os meninos representavam o soldadinho de chumbo – da história infantil “O Quebra Nozes” –, e as meninas a bailarina, sendo fiel a história.

Miss Simpatia – é um dos destaques da quadrilha, sua predominância deste destaque é o carisma e a leveza em sua coreografia. No contexto do tema, a mesma representa “O Fantástico Mundo das Fadas”.

Miss Mulata – é um dos destaques da quadrilha; sua predominância é toda a malemolência que impregnada a cor e sua raiz negra. Porém, para adequar ao contexto do enredo, a mesma representa Dorothy de “O Mágico de Oz”.

Miss Caipira – é um dos destaques da quadrilha; sua predominância é o gingado e características caipiras mais dançados. Entretanto, também para a adequação do tema, a mesma representa “Alice no País das Maravilhas”.

Marcador – é o personagem que comanda a quadrilha; seu papel é de suma importância para o andamento da quadrilha. Representava – no caso, eu fui pela primeira vez marcador – “O Bobo da Corte da Fábrica dos Sonhos”.

Processo de Criação coreográfica da “Fábrica dos Sonhos”

Com a “Fábrica de Sonhos” em mãos, a priori a Professora Simone Gonçalves ressignificou os movimentos de marcação das meninas – que comumente é agarrar e balançar a saia no ritmo da música –, no qual estas dançavam com as mãos na cintura, para representar melhor a figura da bailarina. No caso dos meninos, a marcação era mais mecanizada, para remeter o “marchar” e o andar imponente do soldadinho de chumbo. A partir daí, houve uma mesclagem de figuras coreográficas da quadrilha tradicional – como a grande roda, o túnel, o caracol, a maresia, o pau-de-fita, etc. – aliados a movimentos da quadrilha moderna – como, por exemplo, a leveza das bailarinas e o marchar dos meninos ao cumprimentar. No entanto, a Professora Simone deixou o cargo; os passos da quadrilha estavam incompletos e alguém tinha de terminar. Então, resolvi terminar o processo coreográfico rememorando os anos anteriores que já havia dançado, como forma de fomento para criação. Para Ostrower (1977), “as intenções se estruturam junto com a memória” (pg.18), uma vez que este fator criativo estaria parcialmente impregnado ao corpo e a mente, ou seja, o “processo lida, portanto, com registros de percepções, sob a forma de lembranças” (SILVA, 2007, p.2).

Assim, com a ajuda oportuna de Liduina Aviz – brincante-coreógrafa da quadrilha Sedução Junina – conseguimos perpassar por diversas dificuldades que nos oportunizaram a novas maneiras de lidar com as situações das mais engraçadas a mais séria. Desta forma, apresentamos na quadra junina um trabalho qualitativo que foi de fato apreciado e aplaudido pelo público, afinal, o aplauso é a recompensa de meses de estudos, ensaios e trabalhos intensos.

 

Fernando Nunes: Contribuições do brincante-coreógrafo de Cachoeira do Piriá

Meu objeto de pesquisa não poderia ser outro senão a quadrilha, pois minha história de vida se confunde com vários fatos que ocorreram durante treze anos como brincante, três anos como marcador e oito como coreógrafo.  Conheci o universo da dança através de um convite que a coreógrafa da quadrilha Sedução Junina Simone Gonçalves me contemplou: fazer parte dos casais mirins da Sedução – do Bairro Cachoeira Velha, no qual resido até hoje. O ano 2000 foi marcante, o início de tudo. No entanto, só voltei a ser brincante da quadrilha em 2007, porém dois anos antes, fiz minha primeira participação como coreógrafo. O resultado desta experiência veio no ano seguinte, quando a Diretora da Escola Municipal Faustino de Brito Maria Iracema me fez um convite para ser coreógrafo das misses da Quadrilha Encanto Junino e fazer a parceira – na qual eu tive bastante aprendizado – com as Professoras Auciléia Santos e Núbia Oliveira, que por sinal tinham bastante experiência no ramo das quadrilhas roceiras tradicionais e modernas – ambas tiveram um contato direto com a Professora Simone Gonçalves.

Autodidata na dança, senti a necessidade de desenhar e confeccionar os figurinos, desenvolver temas de quadrilha – uma vez que nessas áreas não tinha experiência alguma. Com o tempo, a minha vontade de aprender fez com que o meu trabalho se tornasse correto, detalhista, luxuoso e com pesquisas assíduas para desenvolver temas de quadrilhas. Enfim, todos os conhecimentos a respeito da quadrilha que obtive são de caráter empírico e autodidata.

A Contextualização

Seguindo as orientações da Professora Wlad Lima, a Contextualização foi fatiada em quatro tópicos:

 
História da Quadrilha Junina e a influência cultural brasileira

Segundo Chianca (2007), A quadrilha é:

Originária de uma contradança de mesmo nome trazida ao Brasil pela corte imperial portuguesa, ela teve suas figuras e passos modificados ao longo do tempo e dos lugares em que foi sendo executada. A princípio, eram quatro ou oito casais que se organizavam em duas filas uma em frente à outra, com as quatro extremidades formando um quadrado – daí seu nome francês, quadrilles (em espanhol, cuadrilhas; em italiano, quadriglia). As quadrilhas pertencem às “danças baixas”, assim chamadas porque nelas os casais fazem pequenos gestos cerimoniosos com os braços e pernas e quase não levantam os pés, evitando movimentos bruscos (Ribas, 1983). Nobre e cortês na origem, a quadrilha tornou-se uma dança e um espetáculo popularizado e reinventado, marcando as festas de São João de todo o país (p. 50).

A quadrilha sofreu diversas transformações em decorrência do contexto no qual está inserida, tendo a dinâmica de mostrar os hábitos e costumes das pequenas e grandes comunidades ao longo do tempo (LEAL, 2011). Com a globalização, a busca pela inovação ficou mais evidente. Segundo Leal (2011), “A busca pela novidade e o novo ressaltou muito entre os quadrilheiros em suas coreografias, trajes, adereços e objetos cênicos” (p. 52). Uma nova nomenclatura surgiu a partir deste interesse pelo novo: Quadrilha moderna, que fez muito sucesso em Belém na década de 80, com novas propostas de montagens coreográficas que diferenciassem do tido tradicional.

Cachoeira do Piriá e as Manifestações da Cultura Popular

Cachoeira do Piriá é um município localizado na Mesorregião Nordeste Paraense – na BR 316, a 444 km da capital -, o qual foi emancipado do município de Viseu no dia 28 de Dezembro de 1995. O gentílico é denominado cachoeirense ou cachoeirense-do-Piriá, fazendo divisa com o Estado do Maranhão (fonte: IBGE). No âmbito cultural, o município sofreu influências maranhenses, no qual há um contingente expressivo de pessoas vindas do Estado. As danças populares é uma das formas de expressão e também de socialização com os munícipes, uma vez que a cultura popular é “[...] Investigar o mundo popular, mergulhar nas raízes, procurando as constantes e permanentes da nossa mentalidade, [...]. Conhecer [...] suas fontes de formação. [...]” (CASCUDO, 1998, p.149). O carimbó, siriá, lundu, danças indígenas, afro-brasileiras, bumba-meu-boi, boi-bumbá e a quadrilha tradicional e moderna ficaram mais evidentes, no qual estas mais tarde seriam apresentadas não somente em eventos escolares como também no festival junino e concursos promovidos pela Prefeitura e Grupos Folclóricos da sede e seus munícipios vizinhos.

Escola Municipal Faustino de Brito – A inserção da Quermesse Junina no âmbito Escolar

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Faustino de Brito, atualmente é localizada no Bairro Piçarreira – em Cachoeira do Piriá –, no qual esta passou por diversas transformações locais, políticas e econômicas. Com a chegada da Diretora Maria Iracema Vieira Barbosa, houve uma ressignificação da cultura popular como forma de socialização entre pais, alunos e professores, no qual foram criados projetos que envolvessem ativamente os alunos nas atividades práticas. Então, a Quermesse Junina foi fruto de um projeto criado pela coordenação da Escola inserindo as danças populares, que tiveram um papel importante no desenvolvimento da identidade cultural de cada aluno.

As Danças Populares na Escola Municipal Faustino de Brito

As Danças populares foram inseridas na Escola Municipal Faustino de Brito em 2006, com a criação do Grupo Folclórico Nova Geração, no qual o próprio apresentava variados gêneros de dança. A partir deste ano, as danças populares ganharam força e personalidade cachoeirenses, pois várias escolas do município aderiram à ideia dessa inserção, encontrando “uma forma cultural engendrada pelos processos criativos de manipulação de corpos humanos no tempo e no espaço. A forma cultural produzida, apesar do caráter efêmero, possui um conteúdo organizado. Manifestação visual das relações sociais [...]” (KAEPPLER, 1998, p.1).

Assim, as danças populares em Cachoeira do Piriá – no qual a quadrilha também está inserida –, fizeram com que houvesse uma valorização da cultura cachoeirense, a fim de ver a dança - tanto à população quanto à comunidade escolar - como elemento motivador para a construção de sua identidade que permeia entre o tradicional e o novo.

 

A escolha do Objeto e dos Objetivos

A priori, meu objeto de estudo seria as minhas contribuições enquanto intérprete-criador e pesquisador para com a Quadrilha Sedução Junina. Entretanto, não foi possível seguir adiante por alguns problemas políticos e sociais que o Município de Cachoeira do piriá passava.
Como meu instinto de "quadrilheiro" falou mais alto visei as minhas contribuições para com a Quadrilha Mirim Encanto Junino do ano de 2009, no qual a minha participação de ensinar e aprender coisas novas ficou evidente, foi de fato uma nova etapa em minha vida!
 
*OBJETO: As contribuições do brincante-coreógrafo Fernando Nunes no Processo de Criação da Quadrilha Mirim Encanto Junino de Cachoeira do Piriá no ano de 2009.
 
Assim, meus objetivos foram concisos e diretos:
*OBJETIVO  GERAL: Investigar as contribuições do brincante-coreógrafo Fernando Nunes no Processo de Criação da Quadrilha Mirim Encanto Junino de Cachoeira do Piriá no ano de 2009.
 
*OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
*Analisar vídeos e fotos da Quadrilha Mirim Encanto Junino de Cachoeira do Piriá no ano de 2009;
 *Investigar as contribuições coreográficas das Professoras Simone Gonçalves, Núbia Oliveira e Auciléia Santos e suas relações de trabalho no processo de criação da Quadrilha Mirim Encanto Junino para com o brincante-coreógrafo Fernando Nunes;
*Reconhecer a importância do papel e a contribuição do brincante-coreógrafo no seu pensar/agir criativo para com o processo de criação coreográfica da Quadrilha Mirim Encanto Junino.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Intercomunicação das Temáticas dos Pré-Projetos

No primeiro momento as ministrantes da Disciplina Metodologia da Pesquisa em Artes Luísa Monteiro, Mayrla Andrade e Wlad Lima explicaram a dinâmica do dia 04 de Dezembro de 2012 que seria as seguintes:
*Colocar na lousa a temática de cada aluno da turma;
*Análise qual dos temas expostos seria conectados ao nosso;
* Por em prática uma lógica que não necessariamente teria de ser intercomunicada com o nosso "eu". Ao longo da aula, cada discente da turma expôs a sua lógica e os professores por sua vez nos proporcionaram uma gama de metodologias que possam ser qualitativas na execução da escrita do pré-projeto. Ressaltando a irreverência e espontaneidade da Prof. Wlad Lima aliada ao comprometimento, a disciplina e uma série de questionamentos que são necessários para a ressignificação dos nossos pensamentos enquanto profissionais da dança que seremos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Apresentação da Disciplina Metodologia da Pesquisa em Artes

No dia 27 de Novembro de 2012, obtivemos o primeiro contato com as Professoras ministrantes da Disciplina Metodologia de Pesquisa em Artes: Luísa Monteiro, Mayrla Andrade e Wlad Lima, no qual houve uma conversação sobre a disciplina, apresentação do plano de aula e de que forma esta pode proporcionar novos conhecimentos para a criação do trabalho final: o TCC.
No segundo momento, fizemos uma inter-relação com uma pirâmide, na qual teríamos de responder as seguintes perguntas:
O mais importante foi a reflexão exercida não só pela turma, como também pelo professores, no qual o s próprios começaram a compreender - pelo menos - as características, projeções para o futuro e de que forma o conhecimento pode proporcionar um amadurecimento tanto na vida acadêmica quanto pessoal.